domingo, junho 21, 2009

:: Ser-se comboio, ser-se linha de aço...

Faz tempo que aqui não venho. Não me perguntem porquê, pois nem eu sei bem...

Estou de passagem como um comboio numa passagem de nível: sempre de velocidade moderada, o mesmo trajecto, o peso do costume, os ruídos habituais, o destino de sempre...

Ser-se comboio é estar punido ao castigo de duas linhas rectas. Embora paralelas e unidas por umas traves escareadas, pouca companhia se fazem. Bem aprumadas, robustas e disciplinadas as linhas de aço sempre separadas nunca da sua equidade se entendem. Ser-se uma linha esquerda ou catalogar-se as duas pelo mesmo outro extremo resulta numa pândega discórdia e ainda que indigesta vida massacrada quando a razão de tal barulho não passa de um paradoxo mal-humorado. Mas, numa racionalidade lógica, se ambas pactuam convictamente as suas extremidades, então ser-se a linha esquerda não é de todo ser-se a direita. Se uma linha de aço esquerda se afirma pela direcção do comboio, então a outra reivindica a mesma posição por este circular em sentido oposto. Este parecer descabido tem o seu relevamento de importância maior: ser-se e saber quem se é - ao contrário do habitual fundamento de ser-se para um fim. As linhas de aço reconhecem a sua identidade e função. No entanto, a frustração de não se entenderem resulta num malograr maior: o não reconhecimento próprio, falta de entidade. Se o próprio não se reconhece como entidade, este não se pode ser. No entanto, existe. É-se sem individualidade. Ser-se sem individualidade não é o mesmo que ser-se de importância intensiva, apreço, uma entidade.

Temo que, num momento de desenfreada discussão uma das linhas de aço levante um pouco mais os cravos e o comboio, sempre de velocidade moderada, o peso do costume, os ruídos deixam de ser habituais, o trajecto é interrompido, o destino é outro...

quarta-feira, maio 09, 2007

:: Como diz?!


"Pouco me importa.

Pouco me importa o quê? Não sei, pouco me importa."
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

Gostava de ser mais assim.


quarta-feira, abril 18, 2007

:: Pouca coisa me enche o ego

Pouca coisa me enche o ego.
Tento alimentá-lo através do meu trabalho. Nunca consegui. Oxalá, nunca consiga. É frustrante e contraditório. Acham ridículo, os menos entendidos, quando digo: Luto cheio de vontade por uma coisa e desejo nunca conquistá-la. Sim, porque a arte é o problema em si e a resolução dos problemas são a morte dos mesmos... Silêncio. Calo-me.

Pouco coisa me enche o ego.
E os meus mestres exigem cada vez mais e mais e ainda mais, quando espero um pouco de alento. Não era um alento para o ego. Era para a felicidade de um dia. Sim, porque eu sei que amanhã, o meu grau de exigência para comigo arruinar-me-ía novamente. Mas eu gosto deles e gosto de trabalhar. Obviamente, trabalho em meu favor, mas levo a opinião deles muito a sério. E magoa-me as suas opiniões porque, simplesmente, admiro-os muito. As minhas coisas sabe-lhes a pouco... A mim, também.

Pouca coisa me enche o ego.
Há pessoas que pensam o contrário. É desgostoso ser-se catalogado a algo a que não se pertence. Acontece mais aqui. No norte, a casa de onde venho, não era julgado desta forma tão... castradora. As sociedades são diferentes, admito. Aqui, as qualidades de ser espirituoso, bem-humorado, sincero (mesmo que doa), bem disposto (ainda que não esteja), são sinónimos de egocentrismo, arrogância e exibicionismo. Tento não me preocupar mas sinto sempre um mau estar. É que não sei estar triste para os outros...

Pouca coisa me enche o ego.
Digo, "pouco" e não "nada", porque "Ego" é parte do meu nome adoptado.

quarta-feira, abril 04, 2007

:: 10 anos de... (não sei bem)...

Hoje, 4 de Abril de 2007 contam-se 10 anos exactos da existência do Alter Ego Vitae. A minha Fase Genesis...
Não sei bem, se devo estar feliz ou descontente. Não sei bem, se foi bom permitir que esta personagem permanecesse para a minha eternidade. Sinto um calafrio quando olho para trás e vejo tudo tão nítido. À minha frente tudo ainda é muito nublado. Chateia-me ver sempre esta neblina.
Uma coisa eu sei: A vida corre mais rápido do que eu. E chateia-me ficar em 2.º lugar neste jogo. Nunca vivo um dia intenso por mais que tente.
Tudo em mim sabe a tão pouco... Os dias são curtos. À noite durmo por obrigação. Parvoíce! É o tempo, o meu inimigo. Rouba-me tudo. E chateia-me saber que ele vence sempre.
Hoje, como todos os dias, desenho qualquer coisa, observo uma tela inacabada, rasgo uma folha, folheio uma revista, faço uma pesquisa, anoto uma coisa interessante, escrevo uma porcaria qualquer, digo umas asneiras, fumo uns cigarros... não sei bem para quê?!... Porque sim...

Hoje, o ar está diferente...

domingo, março 11, 2007

:: Esta coisa que me mata

Esquarteja-me as entranhas e dá-mas a comer.
Arranca-me os membros, braços e pernas. Obriga-me a mastigá-los.
Estragula a sua irmã sem preconceitos... Tenho de a ingerir de forma voraz.
Os olhos e tudo no meu rosto são-me desmenbrados. O grito é sufocado pela minha boca cheia dos mesmos.
Enfia-me os dedos na garganta para inroduzir um ou outro bocado que ficou colado à porta.
Não tenho dores como quase não me sobra corpo. Tudo já foi consumido.
Resta-me a boca badujada das minhas visceras.
Entre um respiro e uma coisa ainda a ingerir, pergunto:
- "O que é que se passa?!..."
Ela, descontrolada, esmaga-me os lábios num só murro.

Esta minha mão direita assassina que não se contenta com um lápis ou um pincel num suporte qualquer, tem o desejo voraz da minha morte precoce, na consumição da minha alma e na ruina de qualquer coisa que eu não sei bem o quê... talvez, da felicidade.

Como nada a contenta, infelizmente, repete isto todos os dias.

terça-feira, janeiro 02, 2007

:: Novo Ano de 2007

Desejo a todos os visitantes deste blog, um bom ano de 2007.
Adianto as minhas desculpas pelos poucos posts que irei escrever este ano.
Quero fazer deste ano, menos letra e mais acção! :-)

quinta-feira, dezembro 14, 2006

:: Boas Festas!

Estou de regresso ao Norte. Festas Felizes e até antes do próximo ano! :-)