Quarta-feira, Março 24, 2010

:: Coro Virtual constituido por pessoas em carne e osso.

Uma grande ideia. 185 pessoas contribuiram para um coro virtual. Sem sairem de casa cantaram para os seus computadores e após montagem da todas as gravações, a orquestra de vozes é lançada ao mundo pelo youtube. Espectacular.

Eric Whitacre's Virtual Choir - 'Lux Aurumque'

Quarta-feira, Julho 15, 2009

:: A "FUGA" de Nunes


FUGA
(poema de Nunes)


Óh! Abelha que volteias no meu mel

A ti definitivamente te prometo

Aonde quer que fiques ou vás,
eu quero-me loooonge.

Quinta-feira, Julho 09, 2009

:: O que esmorece padece de morte



:: O que esmorece padece de morte
poema de Nunalves da Silva

Todas as coisas parecem esmorecer.
Ainda que muita a vigência
a seu tempo
padece e morre.

Esmorece o cuidado das minhas plantas
padecem no aquário peixes inocentes.
Morre a minha vontade.

Esmorece o equilibrio das portas
as paredes húmidas padecem frias.
Morre o meu contributo.

Livros que esmorecem na prateleira
padecem intocáveis as revistas semanais.
Morre o meu afinco.

A compostura esmorece embriagada
as limpezas padecem felizes.
Morre o meu aprumo.

Parentes esmorecem ao longe
Caídos padecem os ombros.
Morre a estima.

Esmorece a pincelada
Padece a minha crença.
Morre o interesse.

Esmorece o interesse
padece o equilíbrio.
Morre a sensatez.

Esmorece coração.
Padece corpo.
Morri.
Só.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

:: Não posso adiar o amor


Não posso adiar o amor
poema de António Ramos Rosa

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.

Domingo, Junho 21, 2009

:: Ser-se comboio, ser-se linha de aço...

Faz tempo que aqui não venho. Não me perguntem porquê, pois nem eu sei bem...

Estou de passagem como um comboio numa passagem de nível: sempre de velocidade moderada, o mesmo trajecto, o peso do costume, os ruídos habituais, o destino de sempre...

Ser-se comboio é estar punido ao castigo de duas linhas rectas. Embora paralelas e unidas por umas traves escareadas, pouca companhia se fazem. Bem aprumadas, robustas e disciplinadas as linhas de aço sempre separadas nunca da sua equidade se entendem. Ser-se uma linha esquerda ou catalogar-se as duas pelo mesmo outro extremo resulta numa pândega discórdia e ainda que indigesta vida massacrada quando a razão de tal barulho não passa de um paradoxo mal-humorado. Mas, numa racionalidade lógica, se ambas pactuam convictamente as suas extremidades, então ser-se a linha esquerda não é de todo ser-se a direita. Se uma linha de aço esquerda se afirma pela direcção do comboio, então a outra reivindica a mesma posição por este circular em sentido oposto. Este parecer descabido tem o seu relevamento de importância maior: ser-se e saber quem se é - ao contrário do habitual fundamento de ser-se para um fim. As linhas de aço reconhecem a sua identidade e função. No entanto, a frustração de não se entenderem resulta num malograr maior: o não reconhecimento próprio, falta de entidade. Se o próprio não se reconhece como entidade, este não se pode ser. No entanto, existe. É-se sem individualidade. Ser-se sem individualidade não é o mesmo que ser-se de importância intensiva, apreço, uma entidade.

Temo que, num momento de desenfreada discussão uma das linhas de aço levante um pouco mais os cravos e o comboio, sempre de velocidade moderada, o peso do costume, os ruídos deixam de ser habituais, o trajecto é interrompido, o destino é outro...

Quarta-feira, Maio 09, 2007

:: Como diz?!


"Pouco me importa.

Pouco me importa o quê? Não sei, pouco me importa."
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

Gostava de ser mais assim.


Quarta-feira, Abril 18, 2007

:: Pouca coisa me enche o ego

Pouca coisa me enche o ego.
Tento alimentá-lo através do meu trabalho. Nunca consegui. Oxalá, nunca consiga. É frustrante e contraditório. Acham ridículo, os menos entendidos, quando digo: Luto cheio de vontade por uma coisa e desejo nunca conquistá-la. Sim, porque a arte é o problema em si e a resolução dos problemas são a morte dos mesmos... Silêncio. Calo-me.

Pouco coisa me enche o ego.
E os meus mestres exigem cada vez mais e mais e ainda mais, quando espero um pouco de alento. Não era um alento para o ego. Era para a felicidade de um dia. Sim, porque eu sei que amanhã, o meu grau de exigência para comigo arruinar-me-ía novamente. Mas eu gosto deles e gosto de trabalhar. Obviamente, trabalho em meu favor, mas levo a opinião deles muito a sério. E magoa-me as suas opiniões porque, simplesmente, admiro-os muito. As minhas coisas sabe-lhes a pouco... A mim, também.

Pouca coisa me enche o ego.
Há pessoas que pensam o contrário. É desgostoso ser-se catalogado a algo a que não se pertence. Acontece mais aqui. No norte, a casa de onde venho, não era julgado desta forma tão... castradora. As sociedades são diferentes, admito. Aqui, as qualidades de ser espirituoso, bem-humorado, sincero (mesmo que doa), bem disposto (ainda que não esteja), são sinónimos de egocentrismo, arrogância e exibicionismo. Tento não me preocupar mas sinto sempre um mau estar. É que não sei estar triste para os outros...

Pouca coisa me enche o ego.
Digo, "pouco" e não "nada", porque "Ego" é parte do meu nome adoptado.